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Fazendo faxina

A empregada dos Gomes Freire, muito cuidadosa com a casa dos patrões, excelente funcionária, decidiu fazer uma faxina geral em sua própria casa, abandonada há tanto tempo. Tratou logo de tirar fora os olhares caducos, imbecis donos da verdade, sanguessugas da vida alheia, ladrões das boas idéias.

Cansou-se das insinuações mentirosas a seu respeito, ervas daninhas, parasitas que impediam seu crescimento, e decidiu renovar a decoração de seu lar. Varreu de seu chão os ácaros da inveja alheia e da doença. Das paredes, esfregadas com água e sabão, livrou-se dos falsos julgamentos e reprimendas sem sentido. Em seguida, deitou desinfetante por todos os cantos para proteger-se dos insetos.

Terminou a faxina, pensou em Deus, acendeu um incenso de canela pedindo bons fluidos. Para as maldições, pediu a proteção de Nosso Senhor Jesus Cristo. Exausta, deitou-se em sua cama, rezou um terço, ficou em silêncio, adormeceu de alma limpa, sonhou com a liberdade...

Valeria Kurak



Escrito por Valeria Kurak às 09h38
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POEMAS DESENHOS

 

Poesia
 
 
Minha querida, trazes em ti
Águas do mar
Nascentes de rios
Cachoeiras
Oxigênio
Chão batido
Mil poetas e seus caminhos
Terremotos
Trovões
Protestos
Beleza de arco-íris
Poeira de estrelas
Veias e artérias
Uma biblioteca infinita
Novas idéias
Antigos conflitos
Questionamentos
Vivências
Solidão
Nostalgia
Poesia, amada minha!
És generosa ao permitir meu caminhar tranqüilo
entre as folhas brancas de teu jardim
 
 

Quase meu

 

Por não ter desenhado cavalos

Por ter os lábios calados

Escrevi este poemeto esquisito

Feito de amor e conflito

Nem vivo, nem morto: morno

Como o vento litorâneo

Na primeira noite de outono

Um poeminha só, sem flores no adeus

Quase invisível, quase incolor...

Quase meu.

 

  

 

Resposta

(Dedicado a Arthur Rimbaud )    

 

Sou tudo e nada

Mais você do que eu

Passado, presente, futuro

Seu vizinho, seu objeto, sua agonia

Carro sempre desgovernado

Humano, místico, animal

Cínico, esnobe, ator

Mil personagens

Cinqüenta para você

Sou poeta

Libertar é a minha arte

Nada me deteria, além da palavra caótica

Saindo aos gritos de minha pena.

 

 Os três poemas acima foram publicados em: Sarau Grafado. Ed. Todos os Bichos, 2007.

 

 

 Tecendo a vida

 

Tecendo a vida vem a consciência,

a Sabedoria, o Amor,

a divindade presente em cada um

tentando materializar-se.

 

Eu posso.

Sou único, maravilhoso !

Vôo sobre o palco/vida altivo e autêntico.

Não me calo.

Busco a expressão correta ...

 

Liberdade! Liberdade!

 

Liberdade sem isolamento.

Comunhão sadia com o próximo, comigo.

Reciprocidade sem o preconceito das mentes pequenas.

Encontro no silêncio criativo das potencialidades.

 

Liberdade!

 

Comunhão com os meus ideais,

com o Espírito,

com Deus, minha Força Maior, meu Pai amoroso:

Aba Pai !

 

Não temo o silêncio do Alto.

Lá comunico-me realmente,

compreendo e sou compreendida,

conheço como sou conhecida.

Preciso do Outro. Preciso de mim.

Já não existo apenas: sou.

Não sou mais um ser sozinho, multiplico-me

e a Vida não pára em mim,

estende-se até o outro mais distante...

                                                             

Texto registrado. Todos os direitos reservados.

 

 

  
Cansancio

 

Hoy me duele el alma.

Dolores de decepción.

¿Y qué decir del cansancio?

¿Del prejuício y del degrado?

Yo vengo a ofrecer un corazón partido.

Una lágrima transparente y agonizante.

 

 

O DESENHO DO POEMA

 

O desenho





do poema





é letra






letra é





desenho do





poema





desenho






cores





sujas





a letra





poema





é




desenho





sujo





de emoções





maltrapilhas





........................................   
               

                                                                       VALERIA KURAK

 

                                            



Escrito por Valeria Kurak às 22h32
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