Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade - Alguma Poesia
Ouça o próprio poeta recitando este poema no site Memória Viva
Estava procurando um site sobre o livro do professor Alcides Villaça (FFLCH - USP): Passos de Drummond, publicado pela editora: Cosac Naify, mas no meio do caminho encontrei uma pérola: a revista eletrônica IHU ON-LINE do Instituto Humanitas Unisinos. Na edição encontrada, cujo assunto principal é a obra de Carlos Drummond de Andrade, há um artigo do professor Villaça.
Depois de ler a IHU-ONLINE , uma dica é o link que encontrei para Passos de Drummond no Submarino . "Neste primeiro livro de crítica, o professor e poeta paulista Alcides Villaça traça um meticuloso, inteligente e vivo painel crítico-analítico da poética de Carlos Drummond de Andrade (1902-87) . Composto por cinco ensaios, o volume traz instigantes análises de alguns dos poemas centrais da obra do poeta mineiro, além de perpassar, com o mesmo fôlego, por outros trabalhos, proporcionando ao leitor várias "janelas" de leitura da obra drummondiana. O arco investigativo inclui desde Alguma poesia (1930), até o derradeiro livro do mineiro, Farewell (1996), traçando assim, nas palavras de Villaça, "um quadro orgânico dos caminhos históricos e estéticos percorridos pelo poeta" . "
No post anterior deixei um link para o trailer do filme Passageiros e comentei que ele parecia interessante. Domingo fui ao cinema do Shopping Metrô Santa Cruz para conferir e lhes garanto: o filme é interessante, mas não tem nada de terror. Como diz a sinopse, é um drama sobre uma psicoterapeuta que precisa ajudar 05 sobreviventes de um acidente aéreo.
Todos os terapeutas sabem que durante um processo de ajuda a uma segunda pessoa, há também um contato do profissional com seus próprios problemas. Pode-se dizer que a terapia é um processo de cura e auto-cura onde paciente e analista trocam experiências de vida. O analista ouve ativamente e direciona as conversas, se necessário. Enquanto ouve, aciona seus próprios conteúdos, leituras, conhecimentos, visão de mundo e história pessoal. É essa troca que acontece entre a terapeuta do filme, uma jovem bonita, inteligente, com dois mestrados e um doutorado em andamento e seu paciente eufórico, um jovem vice-diretor de uma empresa de corretagem.
O filme oferece uma oportunidade de reflexão sobre os papéis assumidos por pacientes e terapeutas em nosso cotidiano. Permite que olhemos a relação psicólogo - paciente de uma maneira mais humanizada e verdadeira, na qual o paciente nem sempre é o coitado, a vítima, mas alguém que tem importantes contribuições a oferecer à saúde do próprio terapeuta. Entendendo saúde não apenas como boa disposição física, mas também como capacidade de interação e inserção social, com reações equilibradas do ponto de vista emocional e cognitivo. É o Homem visto como ser bio-psico-social, cuja identidade se constrói em suas interações com o mundo que o cerca e consigo mesmo.
Vale a pena conferir. Só não vou falar sobre a parte fantástica do filme, perde a graça.
Este filme, cuja estréia no Brasil aconteceu dia 27/03, parece ser interessante, por isso aqui vai a sinopse dele e um link para o trailer disponível em um site brasileiro chamado Basta Clicar.
Sinopse
Após um terrível acidente aéreo, Claire Summers (Anne Hathaway), uma jovem terapeuta, é designada por seu mentor (Andre Braugher) para dar orientação psicológica aos cinco passageiros sobreviventes. As dificuldades de Claire em assumir tal tarefa se tornam ainda mais complexas quando ela é confrontada por Eric (Patrick Wilson), um passageiro que recusa sua ajuda e, em vez disso, usa o acidente como desculpa para infringir as regras e cortejá-la, abertamente. À medida que Claire se esforça para manter uma distância profissional de Eric, seus outros pacientes lutam contras as dificuldades pelas lembranças do acidente, contrárias às explicações oficiais fornecidas pela companhia aérea. Depois que vêm à tona as recordações de uma possível explosão em pleno ar, os passageiros começam a desaparecer misteriosamente e Claire desconfia que a empresa aérea esteja por trás disso. Decidida a revelar a verdade, Claire é profundamente envolvida numa conspiração – e num relacionamento com Eric – o que, em breve, irá culminar num desfecho explosivo do destino.
Cansei. Talvez vocês tenham notado que fiquei mais de um mês sem escrever aqui, mas não pensem que fiquei deitada na areia da praia sob um sol escaldante. Longe disso. Aproveitei as férias para fazer cursos, ampliar meus conhecimentos sobre gastronomia e informática, estudar a reforma ortográfica da língua portuguesa, dormir tudo o que não pude dormir em 2008 e participar de uma seleção para pós-graduação. Acho que estou pronta para começar 2009 com as baterias recarregadas.
Trago informações sobre a FLIP 2009 para vocês. Para quem não sabe, FLIP é a Festa Literária Internacional de Paraty, que neste ano, acontecerá entre os dias 01 (quarta-feira) e 05 de julho (domingo). O escritor homenageado da VII edição da FLIP será o pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968). A obra poética de Bandeira ocupa lugar indiscutível na tradição literária brasileira. Livros como A cinza das horas (1917), Carnaval (1919) e Libertinagem (1930) tornaram-se marcos da poesia brasileira – mas há tempos não são objeto de atenção do meio editorial.
O tributo oferecido pela FLIP tem como objetivo alterar esse cenário. “A homenagem da FLIP pretende contribuir para a revalorização da obra poética e para tornar mais conhecidas as diversas faces de Manuel Bandeira”, afirma Flávio Moura, Diretor de Programação da FLIP.
A missão acabou faz tempo, mas o problema do lhe continua...
Gosto da maneira simples e contextualizada como o professor Pasquale aborda os temas mais comuns da gramática da língua portuguesa. Em seu texto " Coisinha tão bonitinha do Pai " publicado no livro O dia-a-dia da Nossa Língua, editado pela Publifolha, o professor discute o emprego do pronome oblíquo átono de terceira pessoa do singular: lhe nas normas culta e coloquial. Para tanto, aproveita uma história meio bizarra, em voga na época da missão Pathfinder, que vale a pena conhecer.
Sojouner
Segundo o prof. Pasquale é comum empregar o lhe com verbos que não permitem a sua utilização como na canção coisinha do Pai, transformada em sucesso por Beth de Carvalho e imortalizada por uma engenheira brasileira da Nasa, Jaqueline Lyra, que sugeriu a canção como "despertador do robô" Sojouner em Marte. A norma coloquial do português do Brasil em Marte, quem diria!
Você se lembra do finalzinho da letra da música do cantor e compositor Jorge Aragão? " Vou lhe amando, lheadorando, agradeço a Deus porque lhe fez." Será que o pronome lhe está bem empregado em todos os três casos citados?
"A questão é a seguinte:
O pronome "lhe" só deve ser associado a verbo que pede preposição, sobretudo a preposição "a". Veja:
" O livro pertence a você. "
" O livro lhe pertence. "
OU
"Eu proponho a você um acordo."
"Eu lhe proponho um acordo."
(algo pertence a alguém, alguém diz algo a alguém, alguém propõe algo a alguém)
O pronome lhe não pode ser usado com verbos que não pedem preposição.
É o caso dos verbos amar, adorar e fazer da canção. Tais verbos não pedem preposição. Não é correto dizer: "Eu amo a você", "Eu adoro a você", "Deus fez a você". O que se diz é:"Eu amo você", "Eu adoro você", "Deus fez você." Se não existe preposição, nada de lhe.
O que se deve dizer então?
"Eu a amo", "Eu a adoro", "Deus a fez". Agora tente cantar a canção, passando-a para o padrão formal: Vou amando-a, adorando-a, agradeço a Deus porque a fez. Não deu certo, não é?
Pois é aí que reside o XIS do problema. É necessário entender que há o padrão coloquial - o da fala livre, espontânea, que varia de região para região -, e há o chamado padrão culto, formal, que tem regras fixas e não leva em conta regionalismos, hábitos locais, familiares. Esse padrão culto é absolutamente obrigatório na escrita formal.
Os pronomes " o / a " passam a "lo / la" quando colocados depois de formas verbais terminadas em "r". A forma verbal perde o "r": "Quero ver você"; "Quero vê-lo / a."
Moral da história: uma frase como "Quem é você? Não lhe conheço, nunca lhe vi antes", naturalíssima para milhões de brasileiros, é gramaticalmente errada. Você sabe como dizer a mesma coisa em linguagem culta? No português formal, seria: "Quem é você? Não o (a) conheço, nunca o (a) vi antes." " *
* Trecho extraído do livro O dia-a-dia da Nossa Língua - Prof. Pasquale.
Saiba mais sobre o robô Soujouner e a missão Pathfinder:
Estive visitando o blog de um rapaz que está na Hungria estudando o idoma e descobri uma curiosidade sobre as comemorações de Natal da terra de meus antepassados. No dia 06 de dezembro, Mikulás, a versão húngara do Papai Noel vem à noite colocar doces, chocolates e amêndoas nas botas das crianças que se comportaram bem durante o ano. Segundo o autor do blog, Mikulás não coloca presentes em botas que não estejam brilhantes!
As crianças que não foram boazinhas recebem Virgács, um punhado de gravetos deixado por um dos três Krampusz ( um tipo de diabinho que acompanha o Mikulás).
Gostou da tradição? Acesse o link para o blog do rapaz no http://sourbano.blogspot.com e veja esta e outras curiosidades sobre aquele sonho de país, que um dia conhecerei de perto, se Deus quiser!
A empregada dos Gomes Freire, muito cuidadosa com a casa dos patrões, excelente funcionária, decidiu fazer uma faxina geral em sua própria casa, abandonada há tanto tempo. Tratou logo de tirar fora os olhares caducos, imbecis donos da verdade, sanguessugas da vida alheia, ladrões das boas idéias.
Cansou-se das insinuações mentirosas a seu respeito, ervas daninhas, parasitas que impediam seu crescimento, e decidiu renovar a decoração de seu lar. Varreu de seu chão os ácaros da inveja alheia e da doença. Das paredes, esfregadas com água e sabão, livrou-se dos falsos julgamentos e reprimendas sem sentido. Em seguida, deitou desinfetante por todos os cantos para proteger-se dos insetos.
Terminou a faxina, pensou em Deus, acendeu um incenso de canela pedindo bons fluidos. Para as maldições, pediu a proteção de Nosso Senhor Jesus Cristo. Exausta, deitou-se em sua cama, rezou um terço, ficou em silêncio, adormeceu de alma limpa, sonhou com a liberdade...
Una vez al año se celebra en México la muerte en medio de la vida. Cada otoño, los vivos invitan a sus difuntos a que los acompañen, a que regresen al hogar y, por unas horas, se sienten al calor de la lumbre y calienten sus fríos huesos antes de reanudar su largo viaje de retorno al lugar de los muertos.
En todas las culturas existe la lucha entre la vida y la muerte. La vida es bulliciosa y brillante; la muerte, silenciosa y oscura. A la luz atribuímos la bondad; a la oscuridad, el miedo y la maldad. La primavera trae fertilidad y pensamientos de amor, el otoño entraña esterilidad e insinuaciones de muerte. En el verano bailamos con listones de alegres colores, y en invierno encendemos velas para iluminar la oscuridad. Los ritos fúnebres reflejan tanto la negación como la aceptación de estos opuestos: llantos, seguidos de fiesta y jarana.
En México, de acuerdo con la tradición, los difuntos son los invitados de honor. Su fiesta se celebra con una mezcla de veneración por los muertos, diversión para alegrar su visita, y burla como reto al temor de la muerte misma. Aunque los detalles varían de una región a otra y de un pueblo a otro, los ritos básicos son los mismos: se recibe a los espíritus de los difuntos en la casa, se les ofrecen alimentos y bebida, y se les acompaña junto a sus tumbas. Se hace toda clase de preparativos para recibirlos. El 28 de octubre, a aquellos que murieron por accidente, asesinato u otras causas violentas se les ofrecen alimentos y bebida fuera de la casa, a fin de mantener alejados a los espíritus de esas pobres almas que aúnno han sido perdonadas. En la noche del 31 de octubre, los niños muertos vienen a visitar su casa; parael mediodía del 1 de noviembre ya tendrán que haberse ido.
En la noche del mismo día, las "ánimas solas", es decir, aquellas que no tienen familia ni hogar que visitar, son recibidas en algunos pueblos con pan y jarras de agua colgadas fuera de las casas. En otros pueblos se juntan ofrendas y se colocan en un rincón de la iglesia. Las ofrendas son pobres, pero por lo menos las almas huérfanas encuentran algo.
Las campanas tañen toda la tarde para saludar a los adultos, o "fieles difuntos". El olor de las velas y el copal llena la casa. En algunos pueblos, vecinos y parientes visitan a aquellos que han perdido a un ser querido en el transcurso del último año. Los visitantes se sientan en silencio con sus anfitriones y beben café, antes de marcharse a otro "velorio".
Al ponerse el sol, la familia se traslada al panteón para acompañar toda la noche a sus muertos. Se encienden velas sobre las tumbas; una por cada alma desaparecida. Las mujeres se arrodilan o se sientan toda la noche a rezar; los hombres vigilan, hablan y beben. En algunos lugares se ponen alimentos en las tumbas. Para la medianoche el cementerio ya está lleno de velas cuya luz se agita en el aire nocturno de otoño. Tanto la gente de la ciudad como los habitantes de los pueblos se pasan el día siguiente con sus muertos pero también disfrutan de la sociabilidad de los vivos. El chisme y la bebida se comparten junto a las lápidas. Los músicos, que caminan entre las tumbas, van tocando las piezas que fueron las favoritas de los dfuntos.
La noche del 2 de noviembre la fiesta ha terminado. Las almas regresan al mundo de los muertos. Así, vivos y difuntos quedan en paz unos con otros durante un año más.
Así, dicha por la voz preocupada y amiga de Octavio, no sólo médico sino, sobre todo, antiguo compañero de colegio, la frase había ido a parar derecho al vientre de Mariano; allí mismo donde sentía el dolor desde hacía cuatro semanas. En aquel momento había intentado parecer tranquilo, había sonreído amargamente y hasta había dicho: "No te preocupes, hace mucho que estoy preparado". Mentira, no lo estaba, no lo había estado nunca. Cuando le había pedido a Octavio, como amigo, toda la verdad, lo había hecho con la secreta esperanza de que su viejo compañero le dijera la verdad, sí; pero él quería oír que su enfermedad tenía solución, no esa frase que prometía muerte. Pero Octavio había hecho exactamernte lo que le pedía: como amigo, había pasado con él más de hora y media de su ocupado tiempo mirándolo una y otra vez; y luego, con los ojos húmedos detrás de los anteojos, había empezado tímidamente: "Es imposible decirte ahora mismo nada seguro. Antes quiero que te vean otros médicos en el hospital (...) ¿Y si los médicos del hospital decían al fin que la vida tenía permiso para unos años más? Mariano no pedía mucho: cinco años más, mejor diez. Ahora que cruzaba la Plaza de la Independencia para encontrarse con Octavio y conocer la verdad final, sentía que esos singulares y plurales de la esperanza se habían hecho, a pesar de todo, sitio en su corazón (...) Desde que salió del ascensor y vio la calle, todo le pareció distinto. Era de noche, claro, pero ¿por qué las luces estaban tan lejos? ¿Por qué no entendía, ni quería entender, aquel letrero que bailaba frente a él? La calle era un gran río...
Más en: Benedetti, Mario. La muerte y otras sorpresas - colección Leer en Español. Madrid, Santillana, 1993
El vídeo que sigue es el documental Palabras Verdaderas con la participación de Mario Benedetti narrando su vida y obra y Miguel Ángel Solá declamando algunos poemas del autor. Miguel Ángel Solá es el actor principal de la película Sur de Fernando Solanas, ya comentada en el blog en la época de la muestra de cine organizada en el Memorial de America Latina hace algunos meses.
Gostaria de agradecer aos amigos do UOL pela escolha do Reino das Letras como um dos Blogs legais da semana passada.
Estou realmente radiante! Valeu!!!
Aos amigos leitores também vai o agradecimento pelas visitas e pelas mensagens de incentivo e críticas.
Espero que continuem interagindo comigo comentando, mandando datas de eventos, notícias, textos em prosa, poemas próprios e de outros para divulgação aqui em nosso Reino.
Para compartilhar minha felicidade com meus amigos leitores do blog, tão íntimos e tão desconhecidos... Viva o paradoxo!
O poema de minha autoria intitulado "O desenho do poema" publicado recentemente aqui no Reino das Letras foi selecionado para o 48º Volume da Antologia de Poetas Contemporâneos que será publicada pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores no dia 30/08/2008. É minha segunda participação em livro.