Fazendo faxina

A empregada dos Gomes Freire, muito cuidadosa com a casa dos patrões, excelente funcionária, decidiu fazer uma faxina geral em sua própria casa, abandonada há tanto tempo. Tratou logo de tirar fora os olhares caducos, imbecis donos da verdade, sanguessugas da vida alheia, ladrões das boas idéias.

Cansou-se das insinuações mentirosas a seu respeito, ervas daninhas, parasitas que impediam seu crescimento, e decidiu renovar a decoração de seu lar. Varreu de seu chão os ácaros da inveja alheia e da doença. Das paredes, esfregadas com água e sabão, livrou-se dos falsos julgamentos e reprimendas sem sentido. Em seguida, deitou desinfetante por todos os cantos para proteger-se dos insetos.

Terminou a faxina, pensou em Deus, acendeu um incenso de canela pedindo bons fluidos. Para as maldições, pediu a proteção de Nosso Senhor Jesus Cristo. Exausta, deitou-se em sua cama, rezou um terço, ficou em silêncio, adormeceu de alma limpa, sonhou com a liberdade...

Valeria Kurak